IGC publica estudo sobre resistência bacteriana a antibióticos

antibioticsInvestigadores portugueses do Instituto Gulbenkian da Ciência (IGC) publicaram um estudo na revista PLoS Genetics, onde demonstram a importância da interação entre os genes que estão envolvidos na resistência das bactérias a antibióticos.

Este estudo traz implicações na evolução de bactérias multi-resistentes e na escolha do tipo de antibióticos a administrar, especialmente no caso da tuberculose multi-resistente (embora o estudo tenha sido efetuado na Escherichia coli, foi analisado o mesmo tipo de resistência que ocorre na tuberculose multi-resistente).

A resistência das bactérias aos antibióticos advém das mutações que ocorrem no seu genoma, que são importantes para a sua sobrevivência. A taxa de crescimento de bactérias resistentes diminui na ausência de antibióticos. Desta forma, é importante a escolha certa do medicamento, para que esta evolução se dê a favor do hospedeiro humano. Assim, a investigação desenvolvida salienta a importância de conhecer os efeitos das múltiplas resistências, para que se consiga combinar os antibióticos que apresentem um maior custo para as bactérias.

A equipa de cientistas observou as mutações genéticas que conferem a resistência das bactérias aos antibióticos mais usados e estudaram as interações que ocorrem entre os genes mutados. O que os investigadores verificaram foi que ao adicionar mais do que uma resistência à bactéria a sua taxa de crescimento não fica tão pequena como se esperaria, ou seja, uma bactéria multi-resistente cresce muito mais rapidamente do que seria desejável.

Esta conclusão leva a prever que as combinações de resistências com menos custo para as bactérias vão ser cada vez mais frequentes nestes microorganismos. A próxima etapa desta equipa será testar esta constatação. Para tal, será necessário colecionar dados da tuberculose em populações naturais (em Portugal ou noutros países) para posteriormente perceber de que forma os resultados laboratoriais se podem comparar com os resultados naturais da tuberculose.

Uma vez que neste primeiro estudo não foi encontrada nenhuma combinação de antibióticos que provocasse um custo muito grande para a bactéria, o ideal seria conseguir estudar todo o tipo de combinações de resistências, todo o tipo de antibióticos e todo o tipo de alteração genética associada a resistência de antibióticos, fazer todas as combinações possíveis, para no fim encontrar o antibiótico cuja resistência traz maior custo ao microorganismo.

Artigo: Positive Epistasis Drives the Acquisition of Multidrug Resistance, Sandra Trindade, Ana Sousa, Karina Bivar Xavier, Francisco Dionisio, Miguel Godinho Ferreira, Isabel Gordo; in «PLoS Genetics»

Por: Biotec-Zone

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Exame genético determina dose de medicamento para cada paciente.

O Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (IPq-USP) desenvolveu um exame genético que ajuda a determinar a dose certa de medicamento para cada paciente. A velocidade com que o organismo processa ou elimina uma droga varia de pessoa para pessoa.

A diferença explica por que a mesma quantidade de remédio causa efeitos adversos em alguns indivíduos e pode ser ineficaz para outros.

O novo teste mostra a resposta do organismo de cada paciente a uma variedade de medicamentos – psicofármacos, analgésicos, remédios contra cardiopatias, câncer – e viabiliza o ajuste personalizado da prescrição. O exame avalia os genes responsáveis pela produção de duas enzimas do fígado: a CYP2D6 e a CYP2C19. Elas atuam no metabolismo de 75% dos medicamentos.

Tais genes não são iguais em todas as pessoas. Apresentam formas diferentes, conhecidas como alelos. Os pesquisadores do IPq identificam quais alelos estão presentes no genoma de cada paciente. Há uma associação direta entre o alelo encontrado e a resposta ao remédio.

Fonte: O Estadão