Brasil aprova pela 1ª vez transgênico com tecnologias combinadas

Milho-transgenicoA Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou nesta quinta-feira a liberação comercial de três variedades de milho geneticamente modificado, autorizando pela primeira vez no Brasil produtos transgênicos com tecnologias combinadas, que poderiam garantir maiores produtividades aos agricultores.

Duas das aprovações do órgão de biossegurança do país contam com tecnologias combinadas (produtos simultaneamente resistentes a insetos e ao herbicida glifosato), desenvolvidas pela Monsanto e Syngenta.

Uma terceira variedade aprovada, também da Syngenta, é resistente somente a insetos.

“O milho com tecnologia combinada da Monsanto (MON 810 x NK 603) une proteção contra algumas das principais pragas da cultura -controle da broca, da lagarta da espiga e lagarta do cartucho- com os benefícios do controle das plantas daninhas por herbicidas à base de glifosato aplicado em pós-emergência”, afirmou a empresa em nota nesta quinta-feira.

Já o produto da Syngenta combina duas tecnologias que já tinham sido aprovadas isoladamente pela CTNBio: a GA 21, que garante resistência ao herbicida glifosato; e a Bt11, que confere tolerância às lagartas.

“Dessa forma, os produtores brasileiros terão mais opções de alta tecnologia, o que possibilita maior produtividade e potencial competitivo”, afirmou Gilson Moleiro, presidente da Syngenta Sementes Brasil, em comunicado.

Com essas novas liberações comerciais, o Brasil tem agora aprovadas nove variedades de milho geneticamente modificado, sendo quatro delas resistentes a insetos, três tolerantes a herbicida e outras duas variedades que apresentam as duas características, de acordo com a organização não-governamental CIB (Conselho de Informações Sobre Biotecnologia).

A autorização da CTNBio é o primeiro passo para que as empresas possam começar a multiplicar sementes para posterior venda aos agricultores.

A partir da aprovação há um prazo regulamentar de 30 dias, no qual órgãos governamentais interessados ainda podem se manifestar sobre outras questões.

Outros países já utilizam milho com transgenia combinada, como Argentina, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Colômbia, União Europeia, Japão, Coreia do Sul, México, Filipinas, África do Sul, Taiwan e Estados Unidos.

A safra de verão 2009/10 já terá uma boa parcela de milho transgênico, ainda contando com apenas um evento transgênico isolado, após o plantio para multiplicação de sementes ter sido iniciado apenas na safra passada.

Segundo a consultoria Céleres, aproximadamente 30 por cento do plantio de verão de milho em 09/10 será transgênico.

(Por Roberto Samora)

Fonte: Reuters/Brasil Online via O Globo

Células-tronco para doenças renais

O tratamento atual das doenças renais crônicas se resume à terapia de hemodiálise ou ao transplante. Mas, de acordo com estudos apresentados durante a 24ª Reunião Anual da Federação das Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe), realizada em Águas de Lindoia (SP) no mês passado, portadores de insuficiência renal poderão, no futuro próximo, contar com alternativas mais simples e eficazes no combate à doença.

No simpósio em que se discutiu o uso de células-tronco para o tratamento de portadores de doença renal crônica, os trabalhos projetaram possibilidades concretas, como o estudo coordenado pela nefrologista Lúcia Andrade, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Após introduzir células-tronco retiradas da medula óssea de ratos saudáveis em outros com insuficiência renal, a técnica gerou uma reversão do quadro da doença. Os resultados sugerem que as células-tronco, provenientes de animais adultos, são capazes de prevenir e até mesmo de regenerar a função e o tecido renal. Se resultados similares fossem obtidos em humanos, o método poderia, por exemplo, dispensar a diálise.

“O que fizemos até o momento é tudo experimental, em modelo de doença renal crônica em ratos. Agora, estamos propondo começar a fazer estudos terapêuticos com cães”, disse Lúcia à Agência FAPESP. O estudo tem apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

O grupo utilizou roedores que passaram por cirurgias para simular a doença. Na simulação, os animais ficaram com apenas 20% da função renal. Foram aplicadas duas estratégias diferentes de tratamento. Duas semanas depois da cirurgia, um grupo de ratos recebeu uma injeção com 2 milhões de células-tronco na corrente sanguínea e outro recebeu três aplicações.

No quarto mês após o início do experimento, os dois grupos de ratos tiveram recuperação da função renal, conseguindo 50% de filtração. Segundo Lúcia, em humanos 20% da função renal implica a necessidade de se fazer diálise. “Já com 50% é possível levar uma vida normal, com dieta e acompanhamento médico.”

“O modelo que utilizamos é semelhante ao que ocorre em seres humanos. Os resultados apontam que a doença não só parou de progredir como as funções renais foram recuperadas em parte. Isso é algo bastante entusiasmante”, disse. O estudo foi publicado na revista Stem Cells.

Os testes feitos inicialmente com ratos serão conduzidos com cães com insuficiência renal. De acordo com a coordenadora da pesquisa, em reunião com veterinários foi descartada a possibilidade de se fazer o estudo com gatos.

“Nos gatos, a progressão da doença é muito lenta. E como queremos resultados mais rápidos optamos por realizar testes em cães porque, com uma única dose, a evolução da doença renal crônica é mais rápida e o resultado mais satisfatório”, disse.

Segundo ela, é necessário entender melhor o mecanismo, uma vez que as células injetadas podem migrar para tecidos não desejados. “Para a área de nefrologia, é arriscado estabelecer uma previsão a médio prazo. Em outras áreas, como a cardiologia, há um avanço, uma vez que os testes são feitos com humanos”, contou.

A pesquisadora destaca que não existe ainda uma explicação para a melhora da função renal a partir da aplicação de células-tronco. Uma possível resposta seria que elas migrariam para o tecido lesionado e liberariam tanto substâncias inibidoras dos agentes inflamatórios que causam a insuficiência renal como elementos que induzem a regeneração das células do rim.

“Mas acreditamos, a partir de nossos estudos, que o mecanismo de ação das células-tronco seja mais imunológico que regenerativo”, disse.

Matéria completa: Agência Fapesp