Veneno que cola!

Do veneno de serpentes como a jararaca e a cascavel, composto por uma complexa mistura de enzimas, toxinas e aminoácidos com diversas atividades biológicas, pesquisadores brasileiros obtiveram um adesivo cirúrgico testado com sucesso em aplicações como colagem de pele, de nervos, gengivas e na cicatrização de úlceras venosas, entre outras. A cola é baseada no mesmo princípio natural da coagulação do sangue. “Após um corte na pele o sangramento é estancado porque o fibrinogênio, uma proteína que participa da coagulação do sangue, é quebrado em moléculas de fibrina, a principal componente dos coágulos sanguíneos, formando uma rede adesiva”, explica o professor Benedito Barraviera, do Departamento de Doenças Tropicais da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu e diretor do Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap), vinculado à universidade.

O adesivo cirúrgico desenvolvido no Cevap contém tanto fibrinogênio extraído do sangue de búfalos que apresentou melhor resultado em comparação com o de outros animais estudados, como a enzima trombina-símile isolada do veneno da cascavel, que tem atividade coagulante. No mercado existem produtos comerciais que mimetizam a coagulação do sangue humano, mas são compostos de fibrinogênio humano e trombina bovina. “Esses produtos são eficientes, mas como o fibrinogênio é retirado do sangue humano ele pode estar contaminado com diversos vírus, como o da hepatite”, diz Barraviera. “Por conta desses riscos é que a Food and Drug Administration, agência norte-americana que regula fármacos e alimentos, não aprovou até hoje essa cola cirúrgica para uso nos Estados Unidos”, ressalta.

A substituição da trombina bovina pela de cascavel mostrou em testes ser uma escolha altamente eficaz na cicatrização de tecidos. Isso se deve à maneira como as moléculas da giroxina, enzima de onde foi obtida a trombina, se associam com o fibrinogênio animal para formar uma rede polimérica com atividade coagulante. Entre os usos indicados para a cola estão principalmente órgãos sólidos como pele, nervos, fígado e coração. “Em artérias, no entanto, ela deve ser usada com muito cuidado, porque os componentes utilizados podem entupi-las”, ressalta o pesquisador. O preparo do adesivo, que se constitui de poucas gotas da trombina de serpente e do fibrinogênio de búfalos, é feito apenas no momento da aplicação. “Os dois componentes são colocados em uma seringa com abertura dupla e só se misturam no final”, diz Barraviera. Se forem misturados antes, o efeito cola entra em ação imediatamente, inutilizando o produto.

Por: Dinorah Ereno
Reportagem completa: http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=3840&bd=1&pg=1&lg=

Grupo transforma célula adulta em célula-tronco sem alteração genética.

Pesquisadores nos EUA e na Alemanha afirmam ter obtido o que pode ser visto, sem muito exagero, como o Santo Graal da pesquisa com células-tronco: uma forma segura de transformar células adultas em entidades “primitivas”, capazes de dar origem a qualquer tecido do organismo. Essa reprogramação, que leva a células adultas com características embrionárias, só tinha sido conseguida até hoje alterando geneticamente as células originais. Na nova pesquisa, um coquetel de proteínas é suficiente para operar a mágica.

A importância do feito não pode ser subestimada. Se o trabalho coordenado por Hongyan Zhou, do Instituto de Pesquisa Scripps, na Califórnia, estiver correto, trata-se de uma maneira aparentemente segura de produzir tecidos “sob medida” para transplante. Esses tecidos — como músculo cardíaco para doentes do coração ou neurônios para portadores do mal de Parkinson — teriam DNA idêntico ao do paciente, uma vez que seriam derivados, por exemplo, de uma amostra de pele dele. Assim, não haveria risco de rejeição. Como um bônus, os problemas éticos ligados ao uso de células-tronco de embriões ou à produção de embriões clonados ficariam de vez para trás.

Essa, ao menos, é a promessa embutida nessa linha de pesquisa, envolvendo as células iPS, ou células-tronco pluripotentes reprogramadas, na sigla inglesa. Hongyan Zhou e seus colegas, em artigo na revista científica “Cell Stem Cell”, descrevem a criação de um coquetel proteico que induziu células de camundongos a assumir as características de células iPS. As proteínas usadas — com os nomes nada amigáveis de Oct4, Klf4, Sox2 e c-Myc — são as mesmas que serviram para reprogramar células em tentativas anteriores.

A diferença é que as pesquisas prévias usavam o DNA que contém a receita para a produção dessas proteínas. Ele era inserido nas células adultas. Funcionava — mas o medo era que a alteração genética também bagunçasse aspectos fundamentais dessas células. No fundo, poucos pacientes iriam querer inserir células transgênicas em seu organismo.

Zhou e companhia viraram esse jogo ao modificar o quarteto de proteínas de forma que elas fossem absorvidas pela membrana das células de camundongos. Após um processo de “tratamento” prolongado, eles obtiveram células reprogramadas que, na prática, são iguais a células-tronco embrionárias. São pluripotentes, ou seja, conseguem dar origem a qualquer tipo de tecido – alguns exemplos são células pancreáticas, do coração e do fígado.

Se o procedimento realmente se mostrar seguro e for reproduzido com células humanas — e não há nenhuma razão especial para isso não aconteça –, testes pré-clínicos e clínicos das iPS contra doenças podem estar a caminho.

Por: Reinaldo José Lopes
Grupo transforma célula adulta em célula-tronco sem alteração genética. Disponível em: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1095882-5603,00-GRUPO+TRANSFORMA+CELULA+ADULTA+EM+CELULATRONCO+SEM+ALTERACAO+GENETICA.html
Acesso em: 25 abr. 2009

Cientistas anunciam sequenciamento genético do bovino.

RIBEIRÃO PRETO – Após seis anos de estudos, um consórcio de 305 pesquisadores de 25 países, entre eles o Brasil, publica hoje na revista norte-americana “Science” o sequenciamento genético do bovino. Uma das principais conclusões é que a maioria dos cromossomos dos cerca de 22 mil genes do bovino corresponde aos cromossomos humanos. Além dessa semelhança, os pesquisadores apontam que os resultados práticos da pesquisa podem beneficiar o aumento da produção de carne e leite, bem como melhorar a qualidade dos derivados do boi.

“O genoma descrito pelo consórcio é o primeiro para um animal doméstico de grande importância econômica, inclusive para a economia brasileira e paulista. Os resultados terão grande aplicabilidade para a produção mais sustentável de carne e de leite, porque facilitam a compreensão da fisiologia dos bovinos e tornar mais eficaz o melhoramento dos sistemas de produção animal”, explica a professora Isabel Kinney Ferreira de Miranda Santos, orientadora no curso de pós-graduação em Imunologia Básica e Aplicada da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP/USP), uma das integrantes do consórcio de cientistas.

Além de sequenciar o genoma do boi e descrever como os genes estão ordenados, a pesquisa adicionou às sequências informação sobre a função biológica das proteínas que esses genes codificam, o que, na prática, apontará como foi a evolução dos bovinos e suas características biológicas.

De acordo com os pesquisadores da FMRP/USP, a ciência já sabia que os homens e os bovinos divergiram de um ancestral comum, que viveu há 95 milhões de anos. Apesar do longo período de evolução, bovinos e humanos ainda conservam um grau alto de similaridade, como apontado no sequenciamento genético, muito maior, por exemplo, que entre o homem e o camundongo. O camundongo é amplamente empregado pela pesquisa biomédica.

Segundo a pesquisadora Isabel Santos, da FMRP/USP, foi no sistema imune que o consórcio encontrou as principais diferenças entre o genoma bovino e os genomas do camundongo e humano. “Exemplos de genes que mostram variações e rearranjos significativos em relação ao ser humano e ao camundongo incluem os que codificam peptídeos antimicrobianos, que matam ou inibem bactérias; mudanças nos números de genes que codificam os interferons, proteínas que ativam a imunidade e, ainda, mudanças nos números e organização de genes envolvidos na imunidade inata, que é nossa primeira linha de defesa”, exemplificou a pesquisadora.

Ainda de acordo com ela, os resultados da pesquisa, além dos impactos diretos em estudos de biologia evolutiva e na melhoria da produção, também auxiliam nos estudos da fisiologia da lactação, da digestão e do metabolismo. Os dados podem explicar, por exemplo, a capacidade singular dos ruminantes de transformar, de modo muito eficiente, forrageiras de baixa qualidade nutricional em carne e leite de alto valor energético.

Além da USP, participaram do sequenciamento do genoma bovino no Brasil pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Assis (SP) e da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília (DF). O projeto do genoma bovino foi liderado pelos doutores Richard Gibbs e George Weinstock, diretores e pesquisadores do Baylor College of Medicine (BCM) Human Genome Sequencing Center, Texas, EUA, Steven Kappes, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Ross Tellam, do Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation CSIRO, na Austrália, e Christine Elsik da Universidade de Georgetown (EUA).

Por: GUSTAVO PORTO – Agencia Estado
Cientistas anunciam sequenciamento genético do bovino. Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/geral,cientistas-anunciam-sequenciamento-genetico-do-bovino,359457,0.htm
Acesso em: 24 abr. 2009

Embrapa estuda produção simplificada de cogumelos.

Técnica chinesa pode ajudar a popularizar o cultivo do produto no Brasil

Uma técnica chinesa pode ajudar popularizar o cultivo de cogumelos no Brasil. O método reduz custos e simplifica o processo de produção. A pesquisa é desenvolvida pela Embrapa Recursos Genéticos, em Brasília.

A pesquisadora Arailde Urben conheceu o método inovador de cultivo de cogumelos em 1995, em uma visita à China. Desde lá, tem trabalhado para adaptar a técnica, conhecida como Jun-cao aqui no Brasil.

— JUN que dizer fungo. CAO quer dizer capim, gramínea. Então essa técnica de uso de capim como principal componente barateia, considerando que os outros substratos de cultivo são toras ou serragem. Então a madeira fica muito mais cara do que você plantar o capim — explicou Arailde.

Tudo começa com a coleta de cogumelos no ambiente. A partir daí, os pesquisadores multiplicam os fungos em laboratório. A empresa possui hoje um banco de material genético de 329 espécies de diferentes linhagens. O passo seguinte é garantir a reprodução dos fungos. Por isso, eles são colocados em sacos plásticos com cereais. Quando a colônia dos microorganismos toma conta de todo o espaço, os pesquisadores partem para a próxima etapa. Antes, é preciso fazer o substrato, juntando capim, farelo de arroz e gesso agrícola. Nessa mistura os fungos são introduzidos um a um. Os subtratos vão para uma câmara úmida. A temperatura precisa ficar entre 25 e 27 graus, e a umidade, entre 80 e 90%. Em poucos dias, os cogumelos começam dar os primeiros sinais de vida.

Na última fase do processo de cultivo, os substratos são levados, na Embrapa, para uma casa de vegetação. Os produtores, normalmente, levam para um galpão. E é nesse local em que os cogumelos se desenvolvem.

Tudo é feito com a intenção de garantir o melhor ambiente para o cultivo. A água é fundamental. Todo o local é preparado para gerar e manter a umidade. Aos poucos, os cogumelos vão crescendo. A pesquisadora não se conforma que um processo tão simples seja pouco utilizado. Para ela, ainda há muito a ser feito na divulgação das vantagens dos cogumelos, tanto em relação à produção quanto ao consumo.

— Considerando que a carne bovina tem 14% de proteína, e o cogumelo champignon tem até 34%, 46%, então só você comendo um pouco do cogumelo por dia é suficiente. Você tem proteína suficiente para o seu organismo — concluiu a pesquisadora.

Por: Luciane Kohlman | Brasília (DF)
Embrapa estuda produção simplificada de cogumelos. Disponível em: http://www.clicrbs.com.br/canalrural/jsp/default.jsp?uf=2&local=18&action=noticias&id=2483589&section=Capa
Acesso em: 23. abr. 2009

Casal faz fertilização in vitro para impedir doença genética!

A paramiloidose é uma doença que se manifesta normalmente entre os 25 e os 35 anos e é transmitida por via genética. Os principais sintomas são uma grande perda de peso e de sensibilidade a estímulos.

Por ser portador desta doença, o funcionário público André Luiz Gonçalves Bittencourt, 32, nunca tentou ter, naturalmente, um filho com sua esposa, a engenheira civil Paula de Melo Bittencourt, 30. Pensaram, então, em adotar.

Foi quando descobriram a possibilidade de fazer uma FIV (fertilização in vitro) na qual só embriões saudáveis são implantados. Isso é possível graças a um exame chamado DPGI (diagnóstico genético pré-implantacional), pelo qual é feita uma biópsia em uma das células de cada embrião para verificar se possui ou não a mutação.

Infelizmente, não conseguiam fazer esse diagnóstico aqui no Brasil e chegaram a pensar em fazê-lo por meio de outro país, mas o custo era altíssimo. Entretanto, descubriram que uma pesquisadora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) realiza exame para várias doenças e disse que poderia fazer o teste para eles e sem custo algum, afinal a universidade é pública.

O tratamento foi bastante instenso e difícil. Mas hoje, Paula está grávida e sua futura filha, Helena, tem 98% de chance de não possuir o gene causador da paramiloidose.

As técnicas de FIV têm sido bastante utilizadas recentemente e ajudam muitos casais que não podem ter filhos pelo método natural seja qual for o motivo.

Um exemplo bastante interessante foi o caso do bebê que foi concebido de sêmen congelado há 21 anos. Seu pai passaria por um tratamento de radioterapia, na época com 16 anos. Ele foi então aconselhado a congelar seu sêmen e este ano, graças à FIV, sua filha nasceu com ótima saúde.

Casal faz fertilização in vitro para impedir doença genética. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u497086.shtml&gt; Acesso em: 22 abr. 2009

Nasce bebê concebido de sêmen congelado há 21 anos. Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/04/090414_bebesemencongeladomv.shtml> Acesso em: 22 abr. 2009

Começando..

Olá a todos!

Oficializo hoje este blog, o qual abrangerá assuntos diversos que giram em torno da biotecnologia no Brasil e suas possíveis repercussões no exterior.

Para começar, gostaria de falar sobre um assunto um tanto quanto polêmico: liberação de testes para produtos Geneticamente Modificados (GM).

Saiu na Gazeta Mercantil da última sexta-feira, uma reportagem sobre a aprovação concedida pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para as “primeiras experiências em campo das inéditas variedades de soja com características combinadas e a cana-de-açúcar com maior teor de sacarose.”

A CTNBio ainda não liberou a comercialização de nenhum destes produtos, porém esta aprovação é “um sinal de que existe comprometimento do governo brasileiro com o futuro da biotecnologia”, afirmam especialistas. Mas o que aconteceria se, depois de meses para a aprovação, ela fosse concedida quando a estação ou a safra de plantio da cultura tiver passado? Haveria o atraso de um ano para os testes, adverte Alda Lerayer, diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB).

“Além da maior rentabilidade para o produtor e menor utilização de área, as empresas ganham com a redução de custos na fase processamento”, destacou Roel Collier, diretor da Amyris. Segundo estudos da Alellix, a produtividade da cana GM poderia ser até 22% maior que a convencional, reduzindo custos com ampliação do canavial.

Que os produtos GM são extremamente rentáveis, ninguém duvida. Porém, é preciso antes avaliar as possíveis conseqüências dos mesmos, ainda que demore um pouco mais de tempo; mas é claro: em um período hábil para que os testes sejam feitos o quanto antes!

Fonte: http://www.gazetamercantil.com.br/GZM_News.aspx?parms=2450048,26,1,1